É cada vez maior o uso de processamento em nuvens por organizações de todos os portes e setores da economia. As principais inovações digitais dos últimos tempos tais como comércio eletrônico, engenhos de pesquisas, redes sociais, aplicações de mobilidade, “streaming de vídeo e música, entre outras quase sem exceção operam em nuvens.

Recente pesquisa especializada do mercado de TI mostra que a migração de parte do processamento corporativo do Datacenter tradicional para o processamento em nuvens está acontecendo com intensidade variável em cerca de 95% das empresas com mais de 1000 funcionários para:

  1. Eliminar tempo, trabalho e atenção gerencial para escolher, adquirir e implantar novas configurações de hardware, software e serviços para uso “in house”.
  2. Evitar construir ou adequar novas instalações físicas para TI.
  3. Poupar capital e aumentar recursos financeiros para a atividade fim da Organização.
  4. Testar serviços online ou novos modelos de negócios para acelerar a transformação digital e obter de ganhos de competitividade.

Será que esta mudança de paradigma sinaliza o fim do Datacenter corporativo tradicional e a generalização do modelo de aquisição de recursos computacionais como mais uma utilidade, como é feito no processamento em nuvens?

O surgimento dos mega datacenters e nuvens públicas. O capital para investimento em hardware, software, pessoal especializado e instalações físicas
necessárias à operação de TI foi até poucos anos atrás fator limitante para a generalização do uso de aplicações que requerem muito recurso computacional bem como para o crescimento de muitas Organizações.

Assim sendo, como com frequência ocorre quando existe demanda, capacidade gerencial, capitais e tecnologias suficientes amadurecidas (Sistemas Operacionais, Infraestrutura hiper convergente, virtualização de servidores e de armazenamento, etc.), foram alocados por empresas como AWS, GOOGLE, MICROSOFT, IBM, RACKSPACE, ORACLE, entre outras, na construção de mega datacenters para obter economia de escala e viabilizar a oferta de serviços de nuvens públicas.

O Impacto do processamento em nuvens no Datacenter corporativo - Figura 1

Figura 1

Uso de processamento em nuvens por Startups

Estas economias de escalas foram primeiramente percebidas e utilizadas por “startups” como forma de mitigar a escassez de capital próprio e implementar capacidade computacional “Just time” para atender suas necessidades, algumas vezes imprevisíveis, de crescimento.

Uso de processamento de nuvens nas demais Organizações

Nas demais organizações, independentemente do porte ou do tipo, governamental ou privada, a TI Corporativa foi desde muito, por justas razões, considerada um bem a ser protegido do uso indevido por terceiros internos e externos. Em consequência a ideia de usar computação em nuvem de propriedade de terceiros e usada de forma compartilhada foi inicialmente vista com muitas reservas pela gestão da tecnologia da informação inclusive por razões ligadas a segurança da informação.  

Apesar disto a gestão destas organizações, não podendo ignorar os benefícios do novo paradigma passou a usar nuvens públicas, privadas, ou hibridas de forma cautelosa para finalidades tais como, aprender a nova tecnologia, “terceirização” de aplicações de nicho, e implementação rápida de infraestrutura para atender picos de demanda.

Decorridos cerca de 10 anos de implementação da primeira nuvem pública comercial, tendo desaparecido grande parte das objeções relacionadas à segurança e até mesmo aplicações missão crítica tenham migrado para esta plataforma existe uma nova objeção qual seja a dependência de usar um único fornecedor de nuvem para operar serviços da TI corporativa.

Esta objeção, no entanto, foi satisfatoriamente respondida com o aparecimento de fornecedores de serviços de gerenciamento de nuvens múltiplas que ao lado de ofertas como serviços de migração de aplicações e de bases de dados asseguram a capacidade de migrar de fornecedor de nuvem ou espalham os serviços migrados por mais de uma nuvem ou usam serviços de “backup & disaster recovery” em nuvem hibrida para segurança adicional.

O Impacto do processamento em nuvens no Datacenter corporativo - Figura 2

Figura 2

Em 2017, o processamento em nuvens já é uma indústria global de bilhões de dólares cuja receita é prevista crescer a taxa composta média de 19% ao ano no período 2015/2026. Em contraste as receitas das vendas de produtos de TI para ampliar ou implantar de novos Datacenters corporativos devem decrescer a taxa composta média de -3% ao ano no mesmo período. Outro aspecto significativo é que a quantidade de recursos humanos para operar a TI corporativa deve decrescer globalmente a taxa composta média de -7% neste período. Ver Figura 2.

Investimentos Globais em Infra de TI corporativa.

Outra decorrência da adoção do processamento em nuvens é que a produção global de bens para emprego na TI corporativas tais como Servidores, Disk Arrays, elementos de rede e seus softwares será majoritariamente absorvida para implementação dos Datacenters de nuvens já a partir de 2022 (figura 3) com profundas implicações mercadológicas e tecnológicas.

O Impacto do processamento em nuvens no Datacenter corporativo - Figura 3

Figura 3

Modelos de serviços da nuvem pública

Os modelos de serviço preferidos na nuvem pública pelas corporações tem sido SaaS (Software as a Service como por exemplo o Microsoft Office 365 e o CRM Salesforce) e IaaS (Infrastructure as a Service) como pode ser visto na Figura 4.

A explicação para estas preferencias tem sido no caso de SaaS, a facilidade de contratação e implantação e a aderência aos padrões de segurança corporativa. A adoção de IaaS tem sido explicada pela opção por OPEX e para dar velocidade e flexibilidade na implantação de novas aplicações.

O Impacto do processamento em nuvens no Datacenter corporativo - Figura 4

Figura 4

Nuvem Privada e Nuvem Hibrida

Os receios de muitas corporações com a segurança na nuvem pública deram origem à nuvem privada que nada mais é do que a implementação de um data center com as características e requisitos para provisão de serviços de nuvem do lado de dentro do firewall corporativo. Em 2017 mais de 50% das nuvens privadas existentes foram implementadas com VMWARE e a porção restantes com OPEN STACK, MICROSOFT SYSTEM CENTER, MICROSOFT AZURE STACK, E CLOUD STACK.

No entanto para obter as vantagens econômicas da nuvem pública os usuários de nuvem privada com frequência contratam IaaS numa nuvem pública para operação conjunta criando desta forma uma nuvem hibrida.

Embora seja uma forma muito difundida de assegurar um misto de elasticidade e segurança as nuvens hibridas aparentam em 2017 aceitação e declínio a medida que lhes é impossível obter a economia de escala das nuvens públicas e a segurança corporativa das nuvens privadas.

Como será o amanhã?

Existem os que acreditam que graças a Lei de Moore que parece ainda continuará vigorando por muitas décadas, aos “breakthroughs” tecnológicos iminentes como a computação quântica e “machine learning systems” bem como a uma crescente disponibilidade de APIs, as nuvens terão cada vez maior poder computacional e capacidade de armazenamento, serão conectadas aos usuários por redes de dados muitas vezes mais velozes e com bandas de passagem mais amplas que as atuais. Tais nuvens serão capazes de obter economias de escala ordens de magnitude maiores que as atuais e de oferecer SaaS, IaaS e PaaS, a preços equivalentes a uma fração dos preços atuais. Neste cenário TI passaria a ser oferecida e consumida como uma utilidade como a eletricidade. E a exemplo desta que quase nenhuma organização tem geração própria pouquíssimas corporações continuariam a ter Datacenter próprios.

Existem, no entanto, os que acreditam que a complexidades das nuvens públicas podem causar eventos que seriam inaceitáveis na maioria das corporações que operam aplicações missão crítica, como a recente parada por horas de importante serviço de uma destas nuvens públicas, aparentemente por mero erro de operação. Este evento que foi considerado o momento Fukushima da indústria de Cloud Computing (numa alusão ao acidente nuclear japonês que destruiu a confiança na geração termonuclear daquele pais) reafirmou o conceito de que se algo pode dar errado com certeza um dia dará errado.

Além do momento Fukushima acima descrito existe o temor que crime ou guerra cibernética pode atacar e até destruir Datacenter de um provedor de nuvens motivos pelas quais as corporações deverão ainda por muito tempo usar o processamento em nuvens de forma cautelosa e controlada e na vasta maioria continuarão a operar seus próprios Datacenters.